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sexta-feira, 4 de março de 2011

Tonga da mironga do cabuletê ?

A "Tonga A "Tonga da Mironga do Cabuletê "...

Realmente eu não fazia a menor idéia do significado...
Por acaso descobri essa pérola...

Ano de 1970.
Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde haviam acabado de inaugurar a parceria com o disco "A Arca de Noé", fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino.

Encontram o Brasil em pleno "milagre econômico", que milagre... a censura estava em alta, DOPS, ´A.I. 5´, torturas... a Bossa Nova em baixa.

Opositores ao regime pagando com a liberdade e com a vida o preço de seus ideais.
O poeta Vinicius é visto como comunista pela cegueira militar, e ultrapassado pela intelectualidade militante, que pejorativa e injustamente classifica sua música de ´easy´ music.

No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria.
Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois.
Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles, "Tonga da mironga do cabuletê", que significa "O PÊLO DO CU DA MÃE".

O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde oliva inspiram o poeta.
Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la no Teatro Castro Alves.
Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa.
E o poeta ainda se divertia com tudo isso:
"Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um ´milico´ que saiba falar nagô".

Fonte: Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão; uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.


TONGA DA MIRONGA DO CABULETÊ
Toquinho e Vinicius de Moraes

"Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa xingando em Nagô!
Você que ouve e não fala,
Você que olha e não vê,
Eu vou lhe dar uma pala,
Você vai ter que aprender!
A ´tonga da mironga do cabuletê´
A ´tonga da mironga do cabuletê´
A ´tonga da mironga do cabuletê´
Você que lê e não sabe,
Você que reza e não crê,
Você que entra e não cabe,
Você vai ter que viver!
Na ´tonga da mironga do cabuletê´
Na ´tonga da mironga do cabuletê´
Na ´tonga da mironga do cabuletê´
Você que fuma e não traga,
E que não paga pra ver,
Vou lhe rogar uma praga,
Eu vou é mandar você;
Pra ´tonga da mironga do cabuletê´
Pra ´tonga da mironga do cabuletê´
Pra ´tonga da mironga do cabuletê´..."

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